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Balanço financeiro aponta queda de receitas e forte impacto de processos trabalhistas nas contas da estatal brasileira
Prejuízo dos Correios é impulsionado por ações trabalhistas e queda de receitaFoto: Joedson Alves/Agência Brasil/ND Mais
O balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira (23) revelou que o prejuízo dos Correios saltou para impressionantes R$ 8,5 bilhões no encerramento de 2025. O valor representa mais do que o triplo do déficit de R$ 2,6 bilhões contabilizado no ano anterior.
Os números alarmantes foram anunciados em Brasília, cinco meses após a direção da estatal aprovar um aguardado plano de reestruturação para tentar salvar as contas públicas da empresa.
O impacto esmagador das ações trabalhistas
A principal justificativa para o aprofundamento do rombo financeiro na estatal reside nos tribunais. Segundo informou o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, a maior fatia do prejuízo dos Correios é proveniente de litígios judiciais perdidos pela companhia.Receba no WhatsApp as principais notícias de política e economia
Prejuízo dos Correios assusta estatal que aposta em plano de reestruturaçãoFoto: Valter Campanato/Agência Brasil/Reprodução/ND Mais
Aproximadamente R$ 6,4 bilhões do déficit total foram consumidos apenas com o pagamento dessas despesas. Os processos englobam, majoritariamente, ações trabalhistas movidas por carteiros e motoristas cobrando adicionais de periculosidade atrelados às atividades diárias de distribuição e coleta externa.Play Video
Além do baque judicial, a operação diária da empresa também encolheu de tamanho. A receita total da estatal no ano somou R$ 17,3 bilhões, o que aponta para uma queda de 11% frente ao faturamento registrado em 2024. Como resultado dessas somatórias, o patrimônio líquido da companhia encerrou o período amargando R$ 13,1 bilhões negativos.
PDV frustrado em número, mas positivo no caixa
Como medida urgente para conter o prejuízo dos Correios, a estatal incluiu no plano de reestruturação um agressivo Programa de Demissão Voluntária (PDV). A meta inicial da diretoria era alcançar 10 mil desligamentos, mas a adesão frustrou as expectativas e registrou apenas 3.756 saídas efetivas.
Apesar do baixo volume de adesões, o presidente Emmanoel Rondon defendeu o resultado do programa. A justificativa é que os funcionários que optaram por sair possuíam salários substancialmente mais altos do que a média inicialmente projetada.
Essa distorção garantiu que a estatal alcançasse uma economia imediata de R$ 147 milhões apenas em 2025. Para o próximo ano, a projeção oficial de Rondon é que as demissões já consolidadas gerem um alívio de R$ 775 milhões aos cofres da companhia.
Venda de imóveis e reestruturação até 2027
As demissões voluntárias representam apenas a primeira fase das medidas desenhadas para combater o prejuízo dos Correios. Desenvolvido em meio a uma das piores crises financeiras da história recente da empresa, o plano de reestruturação inclui outras frentes de captação de recursos.
Correios registram mais de demissão em massa de mais de 3 mil empregados com adesão ao Plano de Demissão Voluntária (PDV).Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/ND Mais
A gestão aposta na venda maciça de imóveis ociosos espalhados pelas capitais e interiores do país para gerar fluxo de caixa a curto prazo. Além disso, o documento prevê ajustes em benefícios consolidados e uma readequação profunda na estrutura de pessoal existente.
O foco agora, segundo a presidência, está voltado para o futuro próximo. A diretoria finaliza as estimativas financeiras para avaliar quais ações adicionais e mais severas precisarão ser adotadas dentro do plano projetado para 2027.
Com informações do R7