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Washington anuncia escritório de combate ao narcotráfico em Assunção, com atuação regional no Cone Sul
A visita do subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, ao Paraguai resultou em novos acordos para ampliar os investimentos dos Estados Unidos e reforçar o combate ao narcotráfico, ao crime organizado e ao financiamento do terrorismo. Entre os anúncios está a criação de um escritório americano em Assunção que também funcionará como centro de coordenação de programas de segurança no Cone Sul.
O pacote foi divulgado pelo Departamento de Estado nesta quarta-feira (21), durante a missão de Landau ao país. O subsecretário liderou uma delegação comercial entre os dias 19 e 21 de outubro e se reuniu com o presidente Santiago Peña e o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez.
A instalação do escritório da área de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei do Departamento de Estado, conhecida pela sigla INL, amplia a estrutura americana de cooperação contra o crime organizado em um país que faz fronteira com o Brasil.
A unidade ficará na capital paraguaia, Assunção. O comunicado não anuncia uma instalação na fronteira brasileira, mas prevê, separadamente, recursos para projetos de segurança de fronteiras e um acordo para reforçar o monitoramento do espaço aéreo paraguaio.
Escritório americano
Será a primeira vez que Assunção terá um escritório do INL. Além de acompanhar iniciativas no Paraguai, a unidade servirá como centro regional de coordenação dos programas do órgão no Cone Sul.
O Departamento de Estado anunciou US$ 6,25 milhões em assistência bilateral de segurança para enfrentar o crime organizado transnacional. Outros US$ 5,5 milhões serão destinados ao combate ao financiamento do terrorismo, à responsabilização de narcoterroristas e à entrada em operação de um novo centro de contraterrorismo.
Essa segunda parcela também deverá financiar o início de projetos de segurança de fronteiras e ampliar a capacidade das autoridades paraguaias de trabalhar com provas digitais. Somadas, as duas linhas de assistência chegam a US$ 11,75 milhões.
Para o Brasil, o reforço da cooperação ocorre em uma área de interesse direto: a segurança de um país vizinho e o enfrentamento de organizações que atuam além das fronteiras nacionais. A nota americana, porém, não detalha quais postos fronteiriços receberão investimentos nem anuncia participação brasileira nas novas iniciativas.
Washington prepara ainda o envio de um assessor de contraterrorismo a Assunção para acompanhar os programas. Segundo o comunicado, será o primeiro posto desse tipo do escritório de contraterrorismo do Departamento de Estado na região.
Acordo mira voos
Landau e Ramírez também assinaram um acordo de assistência à interceptação aérea. O objetivo é ampliar a capacidade do Paraguai de monitorar e proteger seu espaço aéreo contra voos suspeitos de envolvimento com o narcotráfico.
O instrumento ainda depende de uma troca de notas diplomáticas para entrar em vigor. O comunicado não informou quais equipamentos poderão ser fornecidos nem detalhou os procedimentos previstos para as interceptações.
Os dois representantes assinaram ainda um memorando de intenção para implantar no Paraguai o PISCES, sistema de gestão de fronteiras e verificação de passageiros. A finalidade anunciada é reforçar a identificação de deslocamentos de pessoas ligadas ao terrorismo.
Energia de Itaipu
Na área econômica, um dos principais resultados da viagem foi a conclusão de um acordo entre a americana Crusoe e a paraguaia Araico, empresa de energia e infraestrutura, para construir uma instalação de computação de alto desempenho alimentada pela hidrelétrica de Itaipu.
A previsão é colocar a primeira etapa em operação em meados de 2027. Segundo o Departamento de Estado, a estrutura atenderá clientes de serviços de computação em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina.
O governo americano afirmou que o empreendimento poderá se tornar um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai. O valor não foi divulgado.
O projeto também envolve um ativo de interesse brasileiro: Itaipu é uma usina binacional compartilhada pelos dois países. A parceria amplia a presença de empresas americanas na infraestrutura tecnológica do vizinho e na disputa por clientes latino-americanos. A nota não informa se o Brasil concorreu pelo investimento nem apresenta as condições de fornecimento de energia à instalação.
Na mineração, a Uranium Energy Corp anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver uma de suas concessões de urânio no Paraguai.
Ao apresentar os negócios, o Departamento de Estado afirmou que os investimentos americanos oferecem uma alternativa “confiável e transparente” ao que classificou como financiamento predatório de concorrentes estratégicos. O comunicado não identificou esses países.
Cooperação nuclear
Estados Unidos e Paraguai anunciaram também o início das negociações de um acordo para usos pacíficos da energia nuclear, conhecido como Acordo 123, em referência à legislação americana.
Se concluído e colocado em vigor, o instrumento estabelecerá a base jurídica necessária para que empresas americanas possam exportar determinados equipamentos e materiais nucleares civis ao Paraguai, sob exigências de segurança e não proliferação.
Com informações da Jovem Pan