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Em Belo Horizonte, duas delegadas da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) já somaram R$ 351.280,80 em salários brutos enquanto permanecem afastadas do trabalho por licenças médicas. Ana Paula Lamego Balbino e Wanessa Santana Martins Vieira deixaram suas funções após incidentes envolvendo seus maridos, acumulando afastamentos para tratamento de saúde.
Ana Paula, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, está afastada desde agosto de 2025, com sete licenças renovadas. Entre setembro de 2025 e julho deste ano, ela recebeu R$ 257.605,92. Seu salário bruto mensal é de R$ 23.418,72.
Ana Paula inicialmente recebeu uma licença médica de 60 dias em agosto de 2025, renovada após nova perícia em outubro. Esse processo se repetiu, resultando em sete afastamentos. Wanessa Santana Martins Vieira, envolvida em um caso onde seu marido foi flagrado usando uma viatura da PCMG, está afastada desde 28 de março deste ano. Até julho, ela recebeu R$ 93.674,88 brutos durante suas licenças.
Em junho, o Metrópoles consultou Caio Mário Lana Cavalcanti, procurador da Câmara Municipal de Belo Horizonte, sobre os afastamentos prolongados. Ele afirmou que licenças médicas extensas não são necessariamente irregulares, desde que sigam as exigências legais e sejam monitoradas pela administração pública.
A Lei Orgânica da PCMG exige que policiais civis com três meses de licença, contínuos ou não, nos 12 meses anteriores a um novo pedido de afastamento, passem por uma verificação de invalidez. Essa avaliação não implica aposentadoria automática, mas pode levar a uma análise de aposentadoria por invalidez se comprovada incapacidade permanente.
Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto de 2025, enquanto trabalhava na coleta de lixo em Belo Horizonte. René, marido de Ana Paula, teria se irritado com o bloqueio do caminhão de lixo e, após uma discussão, atirou em Laudemir, que não resistiu.
Ana Paula foi indiciada por prevaricação e por permitir o uso de sua arma no crime, mas o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) não a denunciou, propondo um acordo de não persecução penal. O MPMG também solicitou à Justiça que avaliasse uma indenização mínima de R$ 150 mil à família do gari. Um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra a delegada está em andamento.
Wanessa Santana Martins Vieira foi presa em março deste ano por permitir que seu marido, Renan Rachid Silva Vieira, utilizasse uma viatura da corporação. O casal foi preso em flagrante em 10 de março, mas liberado no dia seguinte mediante pagamento de fiança de três salários mínimos cada.
Renan foi abordado dirigindo uma viatura descaracterizada em um corredor exclusivo do Move, em Belo Horizonte. A abordagem fez parte de uma operação da Corregedoria da Polícia Civil, resultando na prisão por peculato de Renan e Wanessa.
A Polícia Civil informou que Wanessa foi ouvida pela unidade correcional e teve a prisão em flagrante confirmada. A corporação destacou que não tolera desvios de conduta de seus servidores e que as investigações continuam. A reportagem aguarda um posicionamento da Polícia Civil.
Com informações do msn.com/BossaNews Brasil