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CONVENÇÕES POLÍTICAS: reencontro de ex-aliados ou disputa de egos no fim, um único objetivo: a conquista do mandato
3 de agosto de 2026 Redação
CONVENÇÕES POLÍTICAS: reencontro de ex-aliados ou disputa de egos no fim, um único objetivo: a conquista do mandato

Foto: Reprodução/Internet

COMENTÁRIO: Por Adriano Lourenço / Jornalista

As articulações para as eleições de 2026 intensificam alianças, aproximam antigos adversários e reacendem uma disputa pelo poder. Enquanto os partidos definem seus caminhos, o eleitor precisa decidir qual projeto realmente representa os interesses da Paraíba.

As convenções partidárias já movimentam o cenário político brasileiro e, na Paraíba, os encontros têm servido muito mais do que para cumprir uma etapa do calendário eleitoral. Os eventos reúnem antigos aliados, antigos adversários, lideranças tradicionais e novos aspirantes ao poder, em uma disputa que começa muito antes da abertura oficial da campanha.

A convenção do PT, conduzida na Paraíba pela deputada estadual e presidente da legenda, Cida Ramos, transformou-se em um dos principais palcos da sucessão estadual. O encontro reuniu lideranças como o ex-governador João Azevêdo, o senador Veneziano Vital do Rêgo, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley, o governador Lucas Ribeiro, o ex-governador Ricardo Coutinho e outras figuras que disputarão ou influenciarão diretamente as eleições de 2026.

Sob a condução de Cida Ramos, o PT reafirmou o compromisso de fortalecer o projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado. Ao mesmo tempo, abriu espaço para diferentes lideranças que disputam protagonismo dentro do mesmo campo político. A leitura que fica é a de um partido que, neste momento, parece mais preocupado em manter unida sua base de aliados do que em afirmar uma posição própria sobre a composição da chapa majoritária. Para uns, trata-se de uma demonstração de habilidade política e capacidade de diálogo. Para outros, evidencia um PT que prefere agradar seus aliados a ser agraciado com uma definição clara, reduzindo sua margem de independência e adiando decisões que, inevitavelmente, poderão desagradar um lado ou outro da própria base governista.

Mais do que um encontro partidário, o evento revelou uma intensa movimentação de bastidores. Velhos adversários dividiram o mesmo espaço, antigos aliados reapareceram lado a lado e novas alianças começaram a ser desenhadas. A política muda de posição com rapidez, mas o objetivo permanece o mesmo: conquistar um mandato.

A presença de tantos nomes ligados ao campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também deixa uma pergunta inevitável: em qual palanque o presidente estará na Paraíba? Quem receberá seu apoio oficial? São respostas que somente o desenrolar da campanha poderá oferecer, mas que já alimentam as articulações e a disputa por espaço dentro da própria base governista.

Por trás dos discursos, das fotografias e dos aplausos, existe também outro sentimento: a incerteza. Cada candidatura movimenta não apenas os partidos, mas milhares de pessoas que hoje ocupam cargos de confiança, assessoramentos e funções estratégicas nas administrações públicas.

Se Cícero Lucena confirmar sua candidatura ao Governo do Estado, abre-se um novo cenário político para João Pessoa e para aqueles que hoje integram sua gestão. Da mesma forma, uma eventual eleição de João Azevêdo para o Senado poderá provocar novas acomodações dentro do grupo governista. Já Efraim Filho entra na disputa ocupando um mandato de senador, situação que lhe garante a continuidade no Congresso Nacional caso não alcance o Governo do Estado. Lucas Ribeiro, por sua vez, desponta como um dos principais nomes da sucessão estadual. Há quem questione sua experiência política, enquanto outros lembram que ele nasceu em uma família com forte tradição na vida pública paraibana. O julgamento, entretanto, pertence exclusivamente ao eleitor.

Esse cenário também desperta preocupação entre aqueles que acompanham a política de perto. Afinal, uma mudança de governo pode significar mudanças profundas nas estruturas administrativas, atingindo ocupantes de cargos de confiança e grupos políticos que hoje integram as gestões. Para muitos, a eleição representa esperança. Para outros, representa incerteza quanto ao futuro.

As convenções partidárias encerram uma etapa, mas iniciam outra muito mais importante: a da escolha do eleitor. Depois das fotografias, dos discursos, dos abraços e das alianças anunciadas, chega o momento em que cada candidato terá de convencer a população de que merece administrar o futuro da Paraíba.

Mais do que acompanhar alianças e estratégias políticas, cabe ao cidadão analisar as propostas, comparar as cartas-programa e observar a trajetória daqueles que pretendem ocupar os cargos públicos. Um mandato dura anos, e seus reflexos são sentidos diariamente na saúde, na educação, na segurança pública, na economia e na qualidade de vida da população.

Na política, antigos adversários podem se tornar aliados, alianças podem ser refeitas e interesses podem mudar conforme o cenário eleitoral. O que não pode mudar é a responsabilidade do eleitor diante da urna.

Porque votar com consciência é a chave da democracia. Mas votar apenas pela emoção pode levar à desilusão.

E quando a emoção passa, é a realidade que governa.

Com informações do portalbessa.com.br/