Foto: Reproduç~]ao/Intyernet
Dois trens de passageiros de alta velocidade colidiram na manhã desta quarta-feira (28) entre as localidades de Los Yébenes e Urda, na província de Toledo, na Espanha. O acidente envolveu um trem AVE da Renfe e uma composição da empresa privada Iryo, que faziam a rota entre Madrid e Sevilha, na linha Madrid-Andaluzia. A colisão ocorreu por volta das 8h54, no quilômetro 118 da via, e provocou o descarrilamento de quatro vagões, que caíram em um barranco. (Vídeo no final da matéria).
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O último balanço divulgado pelo presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, eleva a 68 o número de mortos — sendo 24 do AVE da Renfe e os demais do trem da Iryo. Cerca de 80 pessoas ficaram feridas, das quais 15 estão em estado grave, segundo a ministra da Saúde, Mónica García. As vítimas foram encaminhadas para hospitais das regiões de Toledo, Albacete, Ciudad Real, Alcázar de San Juan e para centros médicos da Comunidade de Madrid.
Causas e investigação
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que o acidente foi provocado por uma “decisão errônea” do centro de controle de Atocha. Segundo ele, por volta das 8h30, o sistema de segurança LZB da estação de Urda caiu devido a uma falha nos computadores, deixando 63 quilômetros de via sem a cobertura do sistema automatizado. O problema fez com que pelo menos seis trens parassem automaticamente, incluindo as composições da Renfe e da Iryo.
Por volta das 8h36, o centro de controle autorizou o trem da Renfe a continuar a viagem “com normalidade”, o que, segundo Puente, contrariou a regulamentação vigente. “É um trem que tinha obrigatoriamente que ter parado e, de acordo com a regulamentação e os protocolos da Adif, não podia retomar a marcha com normalidade, já que o circuito de via permanecia ocupado”, explicou o ministro.
O ministro relatou ainda que o maquinista de outro trem parado no trecho chegou a alertar o centro de controle sobre o erro, informando que a marcha deveria ser “à vista” — ou seja, com extrema prudência e velocidade reduzida. O centro de controle reconheceu o aviso ao maquinista, mas não corrigiu a ordem já enviada ao AVE da Renfe, que percorreu 25 quilômetros em cerca de 15 minutos até colidir contra a traseira do trem da Iryo.
A Guardia Civil já interrogou o operador do centro de controle responsável por regular o trecho no momento da colisão. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, declarou três dias de luto oficial e prometeu ir “até o fim” para esclarecer o caso. “Vamos chegar até o fim. Se houve negligência, será conhecido; se houve falhas no sistema de segurança, responderemos com total contundência”, afirmou.
Repercussão e resposta
A Comunidade de Madrid e a região da Estremadura também decretaram três dias de luto oficial. A Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP) convocou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Para conter abusos de preços após a suspensão total da linha de alta velocidade Madrid-Andaluzia, a companhia aérea Iberia impôs um teto tarifário para os voos com origem ou destino na Andaluzia e em Madrid.
Em nota oficial, a Iryo informou que sua composição “recebeu um impacto na parte traseira por parte de um trem da série 103 da Renfe” e reafirmou que está colaborando com as autoridades. A Unidade Militar de Emergências (UME) das Forças Armadas foi acionada para auxiliar no resgate, e os órgãos de saúde renovaram o apelo urgente para a doação de sangue.
Com informações da Gazeta Brasil